FOTOGRAFIA E TEORIA DA INFORMAÇÃO
INFORMAÇÃO NA FOTOGRAFIA
Por Enio Leite
Focus Escola de Fotografia
Desde 1975
http://www.escolafocus.net
http://www.focusfoto.com.br
Veja mais dicas em:
http://www.focusfoto.com.br/HTML/dicas.htm
http://focusfoto.com.br/fotografia-digital/blog2.php
http://www.escolafocus.net/dicas.html
Fonte: Artigo integral publicado na revista Photo & Camera, Ano 2, n. 09, agosto de 2000, páginas, 83-90.

FOCUS ESCOLA DE FOTOGRAFIA CURSOS DE FOTOGRAFIA DIGITAL CURSOS DE FOTOGRAFIA A DISTANCIA. ENSINO PROFISSIONALIZANTE DESDE 1975
Há uma ciência, denominada TEORIA DA INFORMAÇÃO, que estuda e prevê por fórmulas matemáticas e métodos estatísticos, o conteúdo da mensagem fotográfica na comunicação, e a sua devida repercussão dentro das mídias imprensa ou eletrônica.
Na formação, ou elaboração, da mensagem há três conceitos que coexistem e moldam-na, para oferecer a possibilidade de compreensão do receptor.
O primeiro conceito é a INFORMAÇÃO, determinada pelo grau de improviso, pela novidade. Por exemplo: uma pessoa está numa fila, a espera do ônibus, de repente escorrega e cai. O escorregão e o tombo são informação, pois o fato é inesperado. Portanto, a Teoria da Informação coloca em primeiro plano a IDÉIA DE NOVIDADE, como valor central objetivo, pois esta pode ser medida matematicamente. E, assim substitui a noção de “beleza transcendente” que é muito difícil de ser utilizada na prática, visto que se fundamenta em subjetivismo.
Às vezes, na mesma mensagem há REDUNDÂNCIA. No sentido atribuído ao termo, quer dizer, repetição. É o oposto da informação, que se apresenta na mensagem de várias maneiras. Uma mensagem redundante pode ser desnecessária.
Como o valor é quantitativo, uma mensagem 100 % redundante é banal, dispensável, pois não traz nenhuma novidade a quem a interpreta, além de reduzir o próprio índice de informação. Entretanto, a redundância ainda pode ser:
A) Redundância de Objeto – quando o elemento fotografado é o mesmo em várias situações.
B) Redundância de Sentido – quando os elementos são diversos (vários objetos), mas, o sentido é o mesmo.
C) Redundância de objeto-sentido – quando o objeto e o sentido são os mesmos, isto é, temos uma repetição como se fosse um xerox.
O ultimo conceito dentro da mensagem é do RUÍDO. É tudo que não pertence a um contexto mas é inesperado. Em outras palavras, é o que causa interferência na transmissão da idéia ou o que atrapalha a comunicação. Por exemplo: na fotografia, é quase comum a imagem aparecer com ruído, pixelada, desfocada, tremida ou mesmo sem definição (imprudência na captura ou manipulação da imagem) o que atrapalhará quem a observar.
Portanto, ruído pode ser definido como qualquer interferência externa, fora do contexto da mensagem. Entretanto, o próprio ruído pode ser utilizado como aumento da informação. O próprio fotógrafo pode, propositadamente apresentar imagem tremida, desfocada, com ruído, mal tratada, com balanço de branco incorreto para causar estranheza ao leitor e aprimorar a sua mensagem. Ou também, fotos de menores ou pessoas nuas publicadas em jornal com a tradicional tarja preta.
TIPOS DE FOTOGRAFIA
De maneira breve, podemos classificar a fotografia em dois tipos, segundo as circunstancia em que ela se inscreve:
Primeiro, no caso de se apresentar isolada, ou seja, mesmo estando em grande número, ela possui características autônomas, (mensagens autônomas) que se diferenciam.
Segundo: São as denominadas de sintaxe. Nestas, há um conjunto de fotos relacionadas entre si, numa seqüência disposta ordenadamente, como é o caso corrente das revistas ilustradas, ou fotonovelas.
As fotos em formas de sintaxe (seqüência) podem ser definidas de duas maneiras:
1) Cronológica, quando se acompanha movimento por movimento para se reduzir o fato;
2) E, lógica, quando não é preciso um acompanhamento rígido de todos os detalhes, para deduzir o fato. Os pormenores são sugeridos pela ausência. Porém, tanto as fotos isoladas como a sintaxe compõe-se de outros critérios diferenciados. Estas podem ser concebidas de três maneiras:
FOTO POSE – Há preparação, isto é, ela é preconcebida para determinado fim, e seu objetivo é demarcado, tem consciência do que se pretende mostrar. O exemplo comum que pode ser identificado, freqüentemente, na imprensa, são as fotografias de políticos cumprimentando populares, ou crianças, e fotografias de moda, publicadas em revistas femininas.
FOTOS OBJETO – Podem ser apresentadas de duas formas, quando se fotografa um elemento (objeto), ou quando alguém representa um objeto. No primeiro caso, é simplesmente objeto sem si, e sua significação.
Já no segundo, alguém se torna personagem, pois é retratado na forma do objeto, ora substituindo o conteúdo numa ligação de significados sugeridos. O exemplo clássico é a tradicional foto do rapaz da “casas Bahia”, ou o próprio “baixinho” da Kaiser. Fica clara, associação de significados. A presença da pessoa, automaticamente nos remete ao produto ou situação específica.
FOTOS CHOQUE – Na essência são fotos “realísticas”, ou hiper-realistas, no sentido de dar a noção exata do fato, e do instante em que o fotógrafo a colheu. São flagrantes de acontecimentos. O que, por outro lado, não descarta do fotógrafo um rápido estudo dos melhores ângulos ou momentos mais propícios para registrá-la. Isto depende do seu senso de oportunidade. O exemplo, também clássico, da foto-choque, foram àquelas tiradas das Rebeliões da Febem, atentados promovidos pelo PCC em São Paulo ou ainda as imagens de atentados terroristas. Entretanto, há casos de manipulação “em loco” ou posterior na redação, que podem converter fotos pose em foto-choque, apesar de este procedimento ser condenado pela ética do jornalismo internacional. E ser muito utilizado pela imprensa sensacionalista onde a principal ferramenta é o Adobe Photoshop.
